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Portugueses na Diáspora

Cidadãs e Cidadãos portugueses emigrantes, migrantes, destacados, expatriados. Não somos cidadões, mas cidadãos de pleno direito e exigimos não-discriminação legislativa-regulamentar-administrativa

Portugueses na Diáspora

Cidadãs e Cidadãos portugueses emigrantes, migrantes, destacados, expatriados. Não somos cidadões, mas cidadãos de pleno direito e exigimos não-discriminação legislativa-regulamentar-administrativa

gosto

Continuar a Sair não é Solução

por portugueses na diáspora, em 16.05.15

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Continuar a Emigrar não é Solução !

A solução é ficar e lutar, exigir, reclamar,

votar, mudar, relocalizar a economia. 

melhor para Portugal, melhor para a Europa

 

 

 

Sou emigrante na Europa vai para 18 anos.  

Há quem aqui esteja há 25, 30, 40 anos, ou mesmo mais. 

Mas há quem tenha chegado há 3 e 4 anos, mesmo há 1 ano.

A partir de 2011  Portugal sob o jugo do Memorando da Troika maciçamente começou a exportar os seus recursos humanos e se esvaziou das suas gentes, dos seus jovens, e até dos seus menos jovens, fazendo pensar sem exagero no que nos aconteceu há 50 anos.

 

Dizem as estatísticas que emigraram 100 mil por ano. 

Continua o êxodo de portugueses em 2015. 

Entre 2011-2015 : seremos perto de 500 mil portugueses a terem emigrado, migrado, a serem trabalhadores móveis por esse mundo fora. Europa, Brasil, Angola, Moçambique, Américas, Ásia, Oceânia. 

Mas a emigração recente não não números e estatísticas. 

A emigração recente são os deslocados económicos. 

A emigranção recente são dramáticas histórias de vida. 

A emigração recente são modos de vida interrompidos e desaproveitados, é tecido empresarial destruído, pme’s falidas, credores e  bancos, famílias forçadas a separarem-se, os filhos que ficam sozinhos para trás enquanto os pais, mais jovens ou mais maduros, tentam vir para cá para fora ganhar algum dinheiro para fazer face às responsabilidades, para pagarem os estudos dos filhos. 

A emigração recente é também o desemprego das mães sozinhas emancipadas que geriam bem os seus lares e famílias. Também elas deixam filhos para trás e emigram à procura de um salário. 

A emigração recente são histórias de integração difícil, adaptação, de humilhação e de depressão que em certos casos atinge a tentativa de suicídio. 

 

A emigração recente portuguesa acaba por exercer, nos países de acolhimento, uma pressão concorrencial laboral. Em vez de ser um direito humano, a mobilidade torna-se involuntariamente um instrumento de dumping salarial nos mercados laborais onde tradicionalmente se ganhava mais. São milhares de deslocados económicos que chegam e pedem um trabalho, um salário, e anunciam nas redes sociais que aceitam tudo. Para os emigrantes e também para os nacionais  as condições de trabalho pioram, os horários de trabalho alargam-se para além do razoável, os salários baixam, os assalariados são substituídos por estagiários gratuitos. Da parte do cidadão nacional reacende-se o ressentimento para com o trabalhador emigrante que faz descer o salário e proporciona a degradação das condições laborais em geral. 

 

Os patrões e os directores de serviço abusam, exploram, não têm respeito. Independentemente da qualificação do subordinado. Pode ser um ladrilhador ou um médico geneticista, não interessa, estão todos na mó de baixo, devem sujeitar-se. 

 

Sim, os emigrantes económicos em massa contribuem para a desestabilização e fragilização do mercado laboral dos países do norte e do centro da Europa. Mecanismos e efeitos sociais do modelo produtivista que muito convém ao capital financeiro detentor do poder económico. 

 

Emigrar nunca foi um mar de rosas, mas a situação agora é realmente difícil. Esqueçam tudo aquilo que se aprende nos estudos europeus e se escuta nas conferências e nos discursos acerca do mercado único, da livre circulação de pessoas, da liberdade de mobilidade laboral, da cidadania europeia : os estados membros da UE continuam a aplicar as mesmas regras de autorização de estada e de residência como em 1977 : ou tens um contrato de trabalho válido ou vais-te embora ao fim de 3 meses e vem a polícia ao domicílio dizer-te na cara. As directivas europeias são uma coisa, no papel, mas as disposições de execução são da discricionariedade dos estados membros. E lá se vai o projeto europeu de uma Europa de Europeus sem fronteiras…

 

A maciça onda de emigração, num curto período de tempo, é prejudicial a Portugal, que fica esvaziado de recursos e de força social de protesto, massa crítica no voto. Mas também é prejudicial às sociedades dos outros países, também eles sujeitos ao jugo do alegado tratado orçamental, que exige poupanças nas despesas sociais nacionais. Aumenta o ressentimento pelo cidadão estrangeiro, os governos aproveitam para aplicarem politicas autoritárias e desrespeitadoras dos direitos e liberdades civis, com o pretexto da crise e da austeridade.

 

Relocalizar a economia portuguesa, investir publicamente na economia local, nos modos de vida locais, na resiliência local, no consumo à escala local, com um plano de resgate do endividamento das pme’s e das famílias  é a solução economico-política para que aqueles emigrantes portugueses que tiveram de sair possam regressar às suas cidades e aí possam recomeçar com as suas vidas, os seus pequenos negócios, as suas pequenas indústrias, os seus pequenos comércios, integrados na sua sociedade, falando a sua língua materna, talvez ganhando menos do que há 10 anos, infelizmente, mas certamente com mais sentido e qualidade de vida, ajudando a reconstruir bem o nosso país.  É esta a nossa esperança, o nosso apelo e a nossa exigência ao poder político. 

 

Lídia Martins

(emigrante)

 

 

 

 

 

 

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